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15/04/2019 07:43 por Advillage

Assange quer cooperar com autoridades suecas, diz advogada

Para defesa do jornalista australiano, prioridade é evitar extradição para os EUA; deputados britânicos defendem que Assange se defenda na Suécia

A advogada australiana Jennifer Robinson, que defende o jornalista e ativista Julian Assange, seu compatriota, afirmou neste domingo (14) que o fundador do Wikileaks está disposto a cooperar com as autoridades suecas caso decidam reabrir o processo de estupro contra ele, mas que sua prioridade continua sendo evitar a extradição para os Estados Unidos.

Em entrevista ao canal britânico Sky News, Robinson afirmou que, no caso de um pedido sueco de extradição, a defesa reforçará a solicitação de que Assange não seja transferido para os Estados Unidos. A advogada explicou que seu cliente buscou refúgio na embaixada do Equador, sete anos atrás, em razão da falta de tal garantia.

Julian Assange, de 47 anos, foi detido na última quinta-feira (11) na embaixada do Equador em Londres, onde estava asilado para escapar de uma ordem de detenção britânica por acusações de estupro e agressão sexual na Suécia, que ele sempre negou. A denúncia por agressão sexual prescreveu em 2015. Dois anos depois, em maio de 2017, a justiça da Suécia arquivou a acusação de estupro por falta de condições para avançar na investigação. Mas, com o anúncio de sua detenção, a advogada da denunciante sueca reclamou a reabertura da investigação.

Leia: Julian Assange é preso na embaixada do Equador em Londres.

A prisão do australiano está relacionada também a um pedido de extradição formulado pela justiça dos Estados Unidos, que o acusa de ter ajudado a ex-analista de inteligência Chelsea Manning a obter uma senha de acesso a milhares de documentos sigilosos. Este pedido será analisado pela justiça britânica no dia 2 de maio.

Deputados britânicos

Segundo a Rádio França Internacional, um grupo de mais de 70 parlamentares britânicos assinaram uma carta na qual pedem ao governo que faça todo o possível para permitir a extradição de Julian Assange à Suécia, caso as autoridades suecas solicitem a medida. "Isto permitiria encerrar a investigação sobre uma acusação de estupro e, se for adequado, apresentar acusações e organizar um julgamento", afirmam os deputados.

Os parlamentares, que afirmam ao mesmo tempo que isto "não pressupõe a culpa" de Assange, consideram que a denunciante sueca deve "ver a justiça acontecer". A carta observa que a acusação de estupro tem um "limite de tempo que expira em agosto de 2020".

Pai quer retorno do filho à Austrália

O pai de Assange, John Shipton, pediu ao governo da Austrália que solicite a extradição de seu filho. Shipton, que foi secretário do partido Wikileaks quando o filho se candidatou sem sucesso ao Senado nas eleições australianas de 2013, visitava Assange todos os anos no Natal na embaixada do Equador em Londres. “É possível resolver de maneira simples para que todos fiquem satisfeitos”, afirmou ele ao jornal Sunday Herald Sun, de Melbourne.

John Shipton disse ainda que ficou chocado com o aspecto físico do filho no momento da detenção. "Eu vi, a maneira como os policiais o arrastaram pela escada. Não tinha um bom aspecto. Tenho 74 anos e estou com um aspecto melhor que ele, que tem 47. Estou chocado", disse. "Durante meses e meses viveu como um prisioneiro de segurança máxima. Não podia ira ao banheiro, havia câmeras vigiando todos os seus movimentos", afirmou Shipton.

O primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, do Partido Liberal (de centro-direita), disse na sexta-feira (12) que Assange não receberia um tratamento especial de seu governo.

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