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21/05/2019 08:25 por Advillage

"EUA subestimam nossa empresa", diz fundador e CEO da Huawei

Ren Zhengfei garante que os planos envolvendo a tecnologia 5G não serão afetados por decisões de Washington

O fundador e CEO da Huawei, Ren Zhengfei, declarou nesta terça-feira (21) que os Estados Unidos "subestimam" sua empresa e que os planos da gigante das telecomunicações envolvendo a tecnologia 5G não serão afetados por decisões de Washington para bloqueá-lo.

"Os políticos americanos, com sua atual forma de agir, demonstram que subestimam nossa força", disse Ren em entrevista ao canal estatal CCTV. Segundo o executivo de 74 anos, o grupo tem estoques de chips e "não ficará isolado" do mundo neste sentido.

"A rede 5G da Huawei não será afetada em nada", garantiu Ren Zhengfei na entrevista. "Em matéria de tecnologia 5G, as outras empresas não alcançarão a Huawei em dois ou três anos".

No domingo, o Google - cujo sistema operacional equipa a maioria dos smartphones do mundo - anunciou o fim dos seus negócios com a Huawei, o que privaria o grupo chinês de certos serviços do Android e seus populares aplicativos Gmail e Google Maps. A empresa americana tomou a decisão em observância a um decreto do presidente Donald Trump.

Leia: Após decreto de Trump, Google corta laços com a Huawei.

"O Google é uma boa empresa, muito responsável. Google e Huawei discutem para buscar uma resposta", declarou Ren Zhengfei.

O decreto de Trump também afeta uma gama de empresas americanas, desde fornecedores de software até fabricantes que fornecem semicondutores à Huawei. "Não vamos, por meio capricho, prescindir agora dos chips americanos. Devemos crescer juntos [com os fabricantes], mas em caso de dificuldade de fornecimento, temos soluções para a reposição", garantiu o fundador da Huawei.

"No período de paz [antes de começar a guerra comercial entre China e EUA] nos abastecíamos com 50% de chips procedentes dos Estados Unidos e com 50% procedentes da Huawei. Não podem nos isolar do restante do mundo", garantiu Zhengfei.

Na segunda-feira, os Estados Unidos decidiram adiar, até meados de agosto, a proibição de exportações de tecnologia para a Huawei, relata a AFP. O Departamento de Comércio disse que o adiamento foi decidido para que a Huawei e seus sócios tenham tempo "para manter e respaldar as redes e equipamentos existentes e atualmente em pleno funcionamento, inclusive as atualizações de software".

Para os usuários da Huawei, o eventual bloqueio poderá ter consequências importantes, pois o Google atualiza regularmente suas diferentes versões do Android, muitas vezes por motivos de segurança. Sem as atualizações, os smartphones podem sofrer falhas, a menos que a Huawei decida fazer as atualizações por conta própria.

Outra consequência, mais indireta, é sobre os aplicativos, pois à medida que a Google atualiza o Android, as centenas de milhões de aplicativos propostos em sua App Store também são atualizadas. Essas atualizações dos aplicativos geram uma forma de obsolescência dos aparelhos que não tiveram as últimas atualizações do Android, fazendo que aplicativos não sejam capazes de funcionar.

O grupo chinês não é apenas o atual número dois dos smartphones do planeta, mas também um dos líderes em equipamentos de redes de telecomunicações. No primeiro trimestre deste ano, a Huawei vendeu 59,1 milhões de smartphones, 19% do mercado e mais do que a americana Apple, embora ainda esteja atrás da empresa líder, a sul-coreana Samsung.

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